A Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED-SC) anunciou a abertura de um novo Processo Seletivo com o objetivo de formar um cadastro de reserva para o cargo de Professor de Educação Escolar Indígena do povo Laklãnõ/Xokleng. A carga horária pode variar entre 10 e 40 horas por semana, dependendo da função assumida.
As oportunidades são para as seguintes áreas:
- Anos Iniciais
- Antropologia
- Arte
- Biologia
- Ciências
- Educação Física
- Física
- Filosofia
- Geografia
- História
- Língua Estrangeira Inglês
- Língua Estrangeira espanhol
- Língua Portuguesa e Literatura
- Matemática
- Orientador da Casa da Cultura
- Química
- 2º Professor
- Sociologia
Como neste caso a seleção será feita por avaliação curricular, não haverá prova objetiva nem dissertativa. Mesmo assim, o caminho continua exigente. A titulação acadêmica, a trajetória profissional e o tempo dedicado à educação indígena serão avaliados com atenção especial nos casos em que houver atuação direta com o povo Laklãnõ/Xokleng.
Passar por esse processo seletivo pode abrir portas para vivências profissionais que mexem com a gente de verdade e deixam marcas duradouras. A atuação como professor na Educação Escolar Indígena vai muito além da sala de aula tradicional. Os profissionais trabalham de modo interativo com a comunidade, respeitando e promovendo a cultura, os saberes e os modos de vida do povo Laklãnõ/Xokleng.
As escolas indígenas seguem uma proposta pedagógica diferenciada, que busca a valorização da língua materna, da oralidade e das práticas tradicionais. O papel do professor é ser, ao mesmo tempo, educador e mediador cultural. Além das disciplinas convencionais, muitas atividades envolvem o contato com lideranças locais, oficinas culturais e atividades em espaços abertos, como trilhas e ambientes naturais.
As funções diárias podem variar de acordo com a formação e a área de atuação. Um professor de Anos Iniciais, por exemplo, viverá o cotidiano de alfabetização bilíngue, com forte presença da oralidade Xokleng. Já docentes de áreas como Antropologia, Sociologia e História trabalharão o resgate e a valorização da identidade indígena dentro de projetos interdisciplinares.
Nem sempre é fácil chegar até essas escolas, muitas ficam longe de tudo. Por isso, os professores acabam precisando lidar não só com o ensino, mas também com os desafios da distância e do cansaço. Mesmo com todos os obstáculos, viver esse encontro de culturas, ser acolhido por uma nova comunidade e sentir que está de fato contribuindo com a educação local faz tudo valer a pena. Comece organizando toda a documentação com antecedência, priorizando certificados de cursos de formação continuada, especializações e registros de atuação em contextos educacionais indígenas.
Se você possui experiência prévia com educação intercultural, projetos comunitários ou ensino bilíngue, busque comprová-la em detalhes. Vale muito a pena entender como surgiram e evoluíram as políticas educacionais voltadas aos povos indígenas no Brasil. Ao olhar com atenção para as diretrizes curriculares e para o modo como o povo Laklãnõ/Xokleng transmite seus saberes, fica mais fácil compreender a lógica de uma educação que respeita outras formas de ver o mundo. A remuneração costuma acompanhar os padrões da rede estadual, e o vínculo com a SED-SC proporciona estabilidade e acesso a políticas de formação continuada.
Mais do que uma vaga de trabalho, trata-se de uma chance de fazer parte de um projeto educacional que reconhece e valoriza os saberes indígenas, formando alunos críticos, conscientes e fortalecidos em sua identidade. Se você compartilha desses valores, não deixe de se inscrever.